domingo, 12 de setembro de 2010

DEMOCRACIA, BERÇO DOS DESMEMORIADOS.

Quando leio sobre a Ditadura Militar no Brasil tenho a impressão de que se eu fosse uma jovem daquela época, provavelmente, hoje não estaria aqui para contar história.

Mesmo em tempo de paz,  como professora, participei  ativamente de manifestações políticas; de caminhadas; acampamentos e até de ocupação de orgãos públicos para forçar negociações.

Hoje as minhas manifestações são amenas, resumem-se em externar aqui e ali, entre amigos; nas filas de bancos em mercados; etc,  o meu descontentamento com alguns governantes; com o preço da passagem de ônibus; com o descaso pela educação; e outras coisas. Somente isso.

Temo mais que tudo, a acomodação. Unir-me a  massa de adequados a uma democracia que, semelhante a “guerra fria”, utilizando um trocadilho, está mais para “ditadura fria”, sem confronto direto, com pressões e  imposições "travestidas" de sutilezas.

A passagem de ônibus aumenta, uns reclamam a sua própria sorte e fica tudo por isso mesmo.

Pessoas morrem pelos corredores de hospitais e só quando a classe médica resolve cruzar os braços, em greves, prejudicando-as mais ainda, elas conseguem ver alguma coisa melhorar nos hospitais, principalmente os salários dos médicos, o que não deixa de ser uma justiça.

Assaltos; seqüestros; roubos; mortes; tráficos; drogas; corrupção; impunidade... são termos com os quais aprendemos a conviver, com sentimento de impotência para encontrar solução para mudar essa realidade.

Período de eleição, os políticos visitam as comunidades, ouvem as necessidades do povo e fazem as suas promessas de representá-los e lutar por seus direitos. Terminada a campanha, não sabemos nem como encontrá-los mais.

Gente dormindo nas ruas;  gente comendo lixo; crianças abandonadas; crianças maltratadas; gente sem educação; alcoólatras; viciados; vendedores de votos; vendedores do próprio corpo, brasileiros, filhos da democracia, desmemoriados do poder de luta.

Semelhantes somos àqueles jovens que, sem nenhum trabalho, herdam os bens que custaram o suor e a vida de outrem. É necessário muita consciência para reconhecermos o seu valor e preservá-los. 

Um comentário:

Javier disse...

Expor tais injustiças é um ato corajoso, não ser indiferente a eles é a base de qualquer dignidade pessoal.
Parabéns. Meu respeito e admiração, Ivana.

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Denunciar esas injusticias es un acto valiente, no ser indiferente ante ellas es la base de cualquier dignidad personal.
Enhorabuena. Mi respeto y admiración, Ivana.

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