sábado, 4 de junho de 2011

CUIDAR DE UM DEPENDENTE QUÍMICO – UM DESAFIO QUE EXIGE SABEDORIA

A família que convive com alguém que se tornou um dependente químico, involuntariamente, adoece junto com esta pessoa. Precisará de muita força, muita firmeza.

 Conversar com pessoas que passam pelo mesmo problema ajuda. Geralmente o dependente é uma pessoa carismática e manipuladora. Se quisermos ajuda-lo é preciso manter certa distância para não perdermos o foco das coisas.

Nada é fácil e também não há receitas infalíveis. Há tentativas e experimentos que variam de pessoa para pessoa. Apenas uma regra serve para todo mundo, não permita ser arrastado para o fundo do poço também, desta forma jamais poderá ajudá-lo. Antes de se preocupar com a saúde e o bem estar do outro você tem que garantir o seu. Isso não é egoísmo, pelo contrário. O mandamento é "amar o próximo como a ti mesmo", lembra?

 Certa vez ouvi uma alegoria que descreve bem o que significa querer ajudar alguém sem ter condições para isso. Você sabia que o pescador de caranguejo nunca coloca um caranguejo sozinho dentro do balde? Ele espera pegar outro e aí sim, coloca os dois lá dentro para começar a pescaria. Sabe por quê? Um caranguejo sozinho é capaz de sair sem dificuldades escalando o balde. Já os dois, lá dentro, é praticamente impossível de conseguir, isso por que a cada vez em que um tenta subir o outro o puxa para baixo.

A dependência, seja ela qual for, é antes de tudo uma fraqueza do espírito. Isso é uma verdade.

A cura para tal vem, principalmente, da força de vontade e, geralmente, esse estágio só chega quando o estrago está grande. Enquanto enxergar possibilidades de conviver com o vicio, mesmo percebendo o sofrimento que vem causando a si e aos outros, ainda é possível se iludir e adiar o esforço para mudar. A consciência de aceitar ser ajudado se dá no momento em que não enxerga mais outra saída. Ou é isso, ou ficará sozinho, por exemplo. Ou então, é isso ou morre, razões desse tipo, radicais.

A motivação para sair dessa vida também é importante. A partir do momento em que a pessoa aceitou ser ajudada ela precisa enxergar as vantagens que terá se continuar firme na sua decisão. Proporcionar o bem estar e a paz na família; a possibilidade de arranjar um trabalho; de voltar a estudar, são exemplos de projetos que auxiliam no processo de desejar continuar em frente com a decisão.

O maior problema é, trata-se de uma doença que requer tratamento para toda a vida. Há qualquer momento pode haver uma recaída, um retorno ao sofrimento e, com sorte um novo recomeço no tratamento. Estes são os momentos mais difíceis. A credibilidade da família e até a credibilidade do doente em si próprio já está totalmente abalada.

O lema é: - Compreender? Sempre. – Aceitar? Nunca.

Assim, buscar conhecimento a respeito de tudo o que envolve a doença é a grande arma para quem está nas condições de ajudante. Buscar fortalecer-se espiritualmente, também.

Jamais deveremos pretender ser melhor que Deus. O que quero dizer com isso é o seguinte: Se observarmos a vida  de todos nós, estamos sempre arcando com as consequências das nossas escolhas, estamos passíveis ás reações causadas pelas nossas ações. Ou seja, Deus não passa a mão na cabeça de ninguém. Não são assim os seus ensinamentos. Se buscamos sofrimentos, temos que conviver com eles até o dia em que decidirmos tomar outro caminho.

Outra lição que aprendemos é: Ninguém muda ninguém. Você só pode mudar a si mesmo e esperar que através da sua mudança a outra pessoa se motive a construir a sua própria.

A coisa, talvez, mais difícil de lidar seja a insegurança de saber quando ceder e quando negar. Para ceder é preciso avaliar antes se a pessoa fez por merecer ou, pelo menos, se assume algum compromisso em ceder em algo também. É sempre uma negociação ou uma recompensa. Do contrário, sem merecimento ou sem assumir e respeitar compromissos, o mais apropriado é que seja negado.

O que importa é deixar bem claro para o outro e para si que, enquanto houver respeito e confiança mutua, caminharão juntos. Falhando, não há nada que justifique permanecer  juntos. Cada um deverá cuidar de si. Não deve haver espaço para culpa ou para o ilusório papel de redentor do outro.


Devemos ter a vida que fizermos por merecer. Sem culpa e com total direito de ser feliz. Quem quiser que nos acompanhe ou fique para trás sozinho. A única coisa que podemos oferecer sem o risco de nos prendermos é a oração e o desejo profundo, transformado em energia positiva de que aquela pessoa encontre o seu caminho (sem atrapalhar o nosso).

Cuidar do outro exige a sabedoria de cuidar antes de si mesmo.


9 comentários:

Remédios disse...

Bom dia! Cada texto que você escreve, Ivana , é um convite a reflexão sobre a vida e como devemos acordar.É como se "acorda menina"...sai da redoma que vc mesmo se colocou...pensa, põe pra fora o ser humano que reside aí... é muito bom e gratificante ler "Ivana".Neste texto você só me faz pensar em AMOR, INCONDICIONAL, ÁGAPE, pois creio que só com um sentimento tão nobre se consegue cuidar de um dependente químico.Parabéns pelo texto, amiga e um grande bj em seu coração.

AC disse...

Ivana,
O tema que descreve é desafio intensíssimo, e constante, para quem que passar por ele.
As suas palavras são referenciais. Gostei muito de a ler.

Beijo :)

lusinez disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lusinez disse...

Oi Vaninha, que você escreve muito bem, isso é verdade, mas tem textos que você decerve com muita propriedade, esse ai é um deles, talvez por presenciar tantas vezes minha luta, (que não foi pouca). Em vão? Creio que não, pois tudo na vida serve de aprendizado, as vezes para melhor ou para pior. No meu caso BEM MELHOR, graças a um Deus e Pai que me ama íncondicionalmente e que me fortalece a cada dia. Pois está na sua Palavra que sou mais que vencedora. E como você bem colocou, devemos sim amar o outro como a nós mesmo, isso é, creio eu, ser um dos pré-requesitos para vivermos bem com todos, independentes de serem viciados em qualquer coisa ou não. Devemos amar.
Um xero bem grande e eu amo vc muito!

Do que eu gosto... disse...

Oi Ivana!
Sábias palavras! Só quem se encontra em uma situação assim é que sabe o que passa, nooossa, é terrível! Vi de perto a luta em um caso de dependencia que terminou em morte, que foi uma verdadeira degradação de um ser humano, é muito triste mesmo, você vê um filho, não foi meu graças a Deus, mentir, enganar, ter verdadeiros devaneios megalomaníacos e depois morrer. E você faz mil questionamentos e não encontra respostas.

Beijão e uma semana tranquila!

Chimarrão disse...

Oi IVANA!!! enquanto li o texto, mto bem feito eu, em frente da TV, via um artigo sobre nova droga que entra no mercado, distribuída em festas de jovens. Dez vezes mais forte que o ecxtase. Estão aliciando e matando nossos jovens. Cada dia fica pior. Onde vamos parar? Será que teremos fornas de mudar esse quadro. A dependencia é um carma que merece muito mais atenção de todos nós, pois ninguém está livre desse mal. Grande abraço!!

vovocibernetica disse...

Ivana esse seu texto é um encinamento paratodos nós. Voce fala com tanta propridade como se vivesse o problema. Não é facil conviver com esse problema e principalmente ajudar . Voce é uma grande escritora só falta tomar a decisão de publicar o seu livro , assuma seu potencial, lembre-se que eu ainda quero assistir esse evento kkk Um grande abraço .

Célia Buarque disse...

Realmente Ivana seu texto está extraordinário. Parabéns! Não sabia da sua vontade de publicar um livro mas dou total força. Precisamos acreditar em nós mesmos e nos lançar naquilo que acreditamos.

Nícholas Fernandes Gimenes disse...

Oi Ivana,

Os seus posts são ótimos! Gostei mto :)

Adicionei seu blog à minha coluna de amigos.

grande abs!

Nicholas

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