sábado, 20 de agosto de 2011

QUANDO A CORAGEM NÃO VEM


Esta citação tem tudo a ver com o que eu vou falar:
“... a coragem não é o contrário do medo, mas a vontade de seguir em frente mesmo diante do medo”. (Michael Gelb, p. 133).

http://www.clubedafala.com.br/
Esta semana, precisamente na quarta-feira passada, dia 18 de agosto de 2011, me vi entre o medo de falar em publico e a vontade de fazê-lo. Faltou-me a coragem.

 Por algumas vezes ensaiei mentalmente  no meu canto,  pegar o microfone e me apresentar diante da plateia de pelo menos duas centenas de diretores de escolas da rede publica municipal de Natal, RN; alguns representantes da Secretaria Municipal de Educação e o próprio Secretario de Educação, para expor a aflição que se passava dentro de mim. Não consegui.

 As minhas mãos estavam suadas e o coração acelerado dificultava arrumar as ideias na cabeça. Pensei em escrevê-las. Escrever é sempre bem mais fácil para mim do que falar, mas temi que as minhas mãos tremessem segurando o papel e denunciassem diante de todos o meu medo, ali na frente.

Eu sabia que dificilmente me perdoaria depois por haver perdido a oportunidade e dizia isso a mim mesma, prevendo o sentimento que haveria de amargar depois. Lembro-me de que não foram poucas as vezes que isso aconteceu, não apenas em publico, mas também diante de alguém que merecia ouvir umas verdades das quais eu não tivera a coragem de falar.

É bem verdade que já venci na vida muitos medos como o de dirigir, de entrar sozinha em elevador e o medo para atravessar pela primeira vez uma “passarela” (aquelas de concreto que ficam sob as ruas). As sensações experimentadas, eu lembro, eram quase de pânico, semelhante a de falar em publico, só que, naqueles casos talvez tenha sido menos difícil pelo fato de não me expor para as outras pessoas. Era entre o meu medo e eu somente.

Eu costumo dizer que o maior de todos os mestres é a “necessidade”. Ela não nos permite pensar na segunda hipótese, a de não tentar.  

Quando desistimos de nos obrigar a fazer algo que temos medo é porque, certamente, buscamos conforto em outras possibilidades de alguém fazê-lo por a gente ou de encontrarmos outras estratégias para conviver sem aquilo.

A necessidade que nos obriga a enfrentar os medos está muito além da nossa vontade simplesmente. Todavia, muitas vezes a vontade pode ser tão forte a ponto de transformar o objetivo em uma necessidade intima.

 Essa é também uma estratégia de motivação, descobrir que, apesar de ser capaz de sobreviver sem “aquilo”, a importância do mesmo para você torna-o necessario para enfrentar o medo e alcança-lo.

Essa estratégia de motivação também já me auxiliou algumas vezes a enfrentar o medo de falar em publico. Quem me conhece na intimidade há de pensar que estou mentindo aqui, pois aparentemente não se identifica em mim a característica de timidez.

Considero, porém que falar em publico em casos semelhantes ao que me refiro neste texto, está além da condição de timidez ou espontaneidade, trata-se de um receio da exposição da imagem e do julgamento alheio.

Para se expor ao julgamento dos outros é preciso sentir-se muito segura de si no sentido de estar preparada para não desmoronar caso não seja bem sucedida.

Nesse caso, em particular, tratava-se da necessidade de usar o microfone para sair em defesa própria e de outras gestoras que estão, segundo especulações e também as intenções que transpareceram nas palavras do Secretario, suscetíveis de serem exoneradas injustamente pelo motivo das educadoras das escolas que elas dirigem haver se negado a cumprir, na véspera de um feriado já prescrito no calendário, uma determinação de suspenção do mesmo.

Infelizmente nenhuma de nós teve a coragem de ir lá na frente e dizer as verdades que o Secretario precisava ouvir. Apenas uma educadora, que não está diretamente envolvida no risco da exoneração se manifestou em defesa das gestoras A sua atitude causou um mal estar tremendo, a ponto dela ter sentido a necessidade de voltar ao microfone para diante da autoridade, o Secretario Municipal de Educação se desculpar pelo fato dele haver se sentido ofendido com a suas palavras.(Ver na íntegra no Blog do Forum de Gestores Municipais).

Assim, o que temos? Na falta de coragem, impera o silêncio, a conformação de alguns e as aflições individualizadas.

v  (Fonte da citação: Como Descobrir Sua Genialidade / Michael Gelb; tradução de Geni Hirata – Rio de janeiro: Ediouro, 2003.)

6 comentários:

lica disse...

Gostei muito, parabens e obrigada pelo seu comentario na minha poesia.

Lica

Valéria disse...

Oi Ivana!

Você falou em coragem, e eu acredito que passa por isso mesmo, mas no caso específico trata-se de sobrevivência o que pesa bastante. Eu tenho pânico de falar em público e em uma discussão sempre fico frustrada por não ter me expressado como gostaria. Neste caso então, noooossa, nunca teria coragem, afinal onde a politicagem prevalece é mais sensato calar, pois a corda só rompe do lado mais fraco.

Beijos e uma semana de paz!

Ivana Maria disse...

Falou e disse a minha sábia amiga Valéria!Tem toda razão. Mas, sabe, eu pesquisei sobre esse negócio de medo de falar em publico e descobri que trata-se do segundo maior medo declarado pelas pessoas, o primeiro é o da violência. Acreditam nisso?
Quanto a politicagem,é mesmo horrivel e ninguém está livre disso. Deveria ser o nosso terceiro maior medo, pois faz um mal danado.

Chimarrão disse...

Sabe Ivana!! Penso n lhe faltar coragem, como afirmas em tua postagem; não te falta iniciativa; tampouco é mais um medo que tens do enfrentamento e suas consequencias. Vivo ativamente o momento político local e a politicagem que está por trás de tudo.Há anos venho sendo perseguido pelas minhas posições, tanto ao escrever, quando ao falar publicamente. Mas mesmo assim me mantenho um ferrenho defensor de minhas ideias, tanto na mídia escrita - jornal, além do meu blog - e tambem ao falar em público. Sei que granjeio antipatias, mas eles me respeito pela forma como me porto a respeito das situações que nao vêm ao encontro dos interesses coletivos. Por isso reafirmo, os medos, em certos momentos, não servem, mas sei também que há o perigo de retaliações e não dependemos somente de nós não é mesmo? Mas a vida e assim, os interesses coletivos só são lembrados a cada 4 anos. O conhecido efeito cometa!!

abraços!!

Ivana Maria disse...

Sabe, meu amigo Chimarrão? Tem uma música da Legião Urbana que diz: "Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada!" Pena que muitos não tem a consciência disso. Obrigada pelo seu comentário, ele não poderia faltar em um texto como este.

Jeanne Geyer disse...

tens muito a dizer e podes fazê-lo com muita competência. espero que consigas superar o medo. sou meio temerária, estando com a razão sempre enfrentei tudo e todos. Tinha medo de falar em publico até que um dia sem mais nem menos peguei o microfone na casa espirita e saí falando. A situação era amena, nada semelhante à tua, mas de qualquer maneira, superei e dali pra frente não parei mais,rsrs
Beijos

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