segunda-feira, 26 de setembro de 2011

EDUCAÇÃO PARA O POLICIAL DE TRÂNSITO

Já era para eu ter contado esta história, mas, o mês de setembro é sempre tão corrido, muita gente amiga aniversaria nele, inclusive eu, no dia vinte e dois. – Ah... Aceito as congratulações atrasadas, obrigada! (risos).

Pois então..., continuando a história, eu havia ido a uma dessas comemorações, juntamente com a minha família quando no retorno para casa, por volta das dez horas da noite fomos parados num posto da policia rodoviária estadual.

Era uma noite de segunda-feira, depois de um dia inteiro de trabalho, por muita consideração nos dispomos a ir a este aniversário do outro lado da cidade, na zona norte. Naquele momento estávamos todos ansiosas para chegar em casa e descansar. Ao atravessar a ponte, de lá para cá, eu sem perceber passei em certa velocidade por cima da lombada que fica próxima ao tal posto.

Foi só o tempo de ouvir o apito e ver o guarda fazendo sinal para encostar o carro.Ele abaixou a cabeça para dentro da janela e foi dizendo, com um ar meio sarcástico – Está apressada? - respondi – Pois é, estou! – querendo aproveitar a graça da conversa – Mas, a senhora nunca ouviu falar que as vezes a pressa é inimiga da perfeição? – disse ele “cortando o meu barato”. Dei um sorrisinho amarelo, concordando que agora era uma dessas vezes.

Com aquela voz “treinada” de guarda ele foi dizendo – Seu documento e documento do carro! – Apesar de sentir a trágica mudança nos meus planos de chegar mais cedo em casa, eu tinha certeza de ser dispensada logo. Entreguei os documentos.

O policial examinou os documentos e questionou – Onde está o documento de 2011?- com naturalidade questionei – E esse aí é de quando? – delatando toda a minha desorientação – De 2010! – declarou, com firmeza. Não me abalei, pedi que aguardasse – Só um minutinho...! – Daí então, haja eu procurar o tal documento “pelas profundezas” da minha bolsa. Adivinhando o que estava acontecendo, ele nem esperou, – Pode deixar! – disse retirando-se com os meus documentos nas mãos, em direção àquela “casinha amarela”.

Não deu dois minutos, o policial me chamou pela janela. – Dona Ivana, venha até aqui, por favor... – eu muito tranquila, "sabendo que estava toda certa, ainda perguntei – Alguma coisa errada...? – “Alguma coisa errada?”´- repetiu ele, com aquele ar sarcástico, de novo. – Venha até aqui. – Disse, fazendo sinal para que eu entrasse, a fim de me mostrar algo no computador.

Sentei-me ao seu lado, sem enxergar direito pois estava sem os óculos, mas nem precisava, ele foi narrando – A senhora, Dona Ivana, simplesmente, não pagou a primeira parcela do IPVA. Não pagou a segunda... não pagou a terceira... não pagou a quarta... tem essa multa... essa outra... – Eu não acredito! – Disse eu com uma cara de surpresa que fez o guarda rir – E agora? – Ele foi respondendo: - E agora? Dona Ivana...? – Deu-me a resposta, citando o artigo da lei que referendava as suas palavras: - E agora é apreensão do carro e multa equivalente a sete pontos na carteira.

Olhando para aquela tela, sem enxergar nada, mas acreditando nas palavras do guarda, a única coisa que eu consegui dizer foi – Ei não faça isso não! Eu já estou com essas multas todinhas... se você me der mais uma, aí pronto, eu não dirijo nunca mais. – A senhora é professora né? – Como soube? – Pelo seu jeito, a minha mulher também é professora. Tá vendo, não quiseram estudar...? – Disse ele numa conversa mais amigável, que me deixou mais a vontade para me fingir de ofendida. – Ei, bichinho, saiba que professora estuda sem parar viu? – rimos, "já quase amigos".

Mas eu queria ter certeza logo onde aquela conversa ia dar, perguntei: - E aí, como é que fica? - A senhora quer que eu faça o que? – Ah, eu quero que o senhor me deixe ir pra casa dormir e não invente de botar mais essa multa, não! – rimos juntos novamente.

Voltando a ficar sério e sem me responder, ele se levantou da frente do computador e se dirigiu em direção à porta. Segui-o de perto.

De repente, ele se voltou e estirou a mão para mim com os documentos. – Eu não estou entendendo – disse eu estranhado o gesto, sem saber ao certo se era mesmo para eu pegar. – Ele insistiu com o gesto e disse: - Estão em suas mãos! – Entendendo menos ainda, peguei os documentos e falei: - Sendo assim, tá... Boa noite. Tchau!

Caminhei devagar em direção ao carro, com uma vontade de sair correndo dali e com o receio que ele estivesse vindo atrás de mim. Não veio. Vim mesmo embora, ainda confusa com o que aconteceu para ele me dispensar assim.

Contando essa história a alguns amigos, todos foram unânimes em afirmar:       - Ele queria era uma bola!  - o que significa dinheiro, suborno. Todo mundo sabia disso.  

Eu, agora refletindo, comecei a compreender o sentido daquele gesto dele. Ainda bem que eu não percebi isso na hora, o meu constrangimento seria maior do que o que estou sentindo agora. Definitivamente, eu não tenho jeito para essas coisas. Não saberia como fazer

Fico admirada como esse tipo de prática tornou-se tão “normal” a ponto de todo mundo já saber que grande parte dos guardas já param os motoristas com essa intenção.

Lógico que eu não queria ficar a pé, naquelas horas da noite, tão longe de casa, com a minha mãe e as minhas filhas e também não queria correr o risco de ter mais uma multa que me levasse à suspensão da carteira.

 Mas, o que eu gostaria de verdade, era que o guarda reconhecesse que tudo não passou de uma atrapalhada minha e que eu falei a verdade ao afirmar que no dia seguinte, com certeza, estaria regularizando tudo junto ao DETRAN (como o fiz).

Já que estamos, neste mês de setembro, em plena campanha de educação sobre o trânsito, acho muito apropriado começar educando os próprios profissionais responsáveis pela aplicação das leis do trânsito. Aula de ética, para eles.

http://4.bp.blogspot.com/_Q0VHXorLofw/SfqPIzk0uhI/AAAAAAAABFw/XOZ9ppAULPc/s320/guarda+de+trânsito.gif

8 comentários:

AC disse...

Pois é, Ivana, lidando com as pequenas pedras que enxameiam o nosso caminho...
Parabéns pelo seu aniversário!

Beijo :)

Ivana Maria disse...

Obrigada, AC, querido.

Evanir disse...

Eu agradeço sua visita
A vida sempre une as pessoas no momento certo.
Que eu seja digna da sua amizade.
Nos momentos de aflição dividirmos nossas dores e pensamento
Que seu sonho e os meu sonhos seja abençoado por Deus.
Com nossa amizade e união possamos alcançar as estrelas.
De mãos dadas não terei medo da estrada a ser percorrida.
A minha fé iluminara nossos caminhos ,
E assim juntos seguirmos até onde existir vida.
Uma abençoada terça.
Deus abençoe seu carinho.
Bjs no coração.
Evanir
ESTOU FELIZ EM CONHECER SEU BLOG E JÀ ESTOU SEGUINDO VOCÊ.
ENCONTREI MAIS UM ANJO NA MINHA VIDA.

Ivana Maria disse...

Ow *-* fiquei até emocionada com tão grande expressão de afeto, minha querida EVANIR. Bjs. Que Deus te abençoe grandemente.

Chimarrão disse...

Oi Ivana!se entendi bem você foi alvo de pedido de propina disfarçada pelo policial?? Se positivo, não me admira. Aqui a estadual não permite isso, mas a federal é UMA ZORRA. Eu tive casos e casos com a polícia, inclusive simulação de suborno e eu, motorista novo na época, não entendi e acabei multado. Infelizmente nosso país de corruptos é assim, todos se acham no direito, alguns são pegos com a "mão na butija", como diz o gaúcho. Mas querida, ainda bem q te safaste dessa inconveniência policial (essa semana fui pego em duas barreiras, mas deu tudo certo). POR FIM MINHA AMIGA. UM ABRAÇO DO TAMANHO DO RIO GRANDE P TI. TE ESTIMO MUITO!! BJS!!

Ivana Maria disse...

Ainda que não houvesse nenhuma gratidão em escrever, o é muito improvável para quem gosta de fazê-lo como eu, construir amizades como a de Chimarrão seria o suficiente para manter o meu Blog. Um grande abraço meu amigo, antenado na Política do RS e também na nacional e de todo o globo.

Polícia de Estrada disse...

Olha não vi no seu texto, onde o policial poderia ter lhe pedido propina, me parecendo que esta conclusão surgiu após comentar o fato ocorrido com seus amigos e eles levantarem esta possibilidade. Pela minha experiencia de 15 anos como policial, lhe digo, se o policial que lhe abordou fosse propineiro, você escaparia de um raio mas não de dar a propina, nestes casos o policial vagabundo e bem claro, por isso acho que ele se sensibilizou com sua simpatia e bom papo e pelo fato de ter esposa professora, assim igual a você e acabou relevando a pretensão de lhe autuar, o que não deixa de ser um crime, já que ele acabou prevaricando ao não lhe aplicar o que determina a legislação. Agora no caso de pedido de suborno, nunca devemos esquecer que só existe policial vagabundo porque tem condutores que fomentam esta pratica nojenta. Parabéns pelo blog.

Ivana Maria disse...

Adorei o comentário de Polícia de Estrada. Assim a gente teve acesso a uma visão do outro lado da história. Tem toda razão nas palavras, muito bem colocadas, principalmente quando diz que "só existe policial vagabundo porque tem condutores que fomentam esta prática nojenta". Parabéns pela sua postura, nos tranquiliza saber que temos muitos profissionais que honram a farda que veste. Obg pela visita.

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