domingo, 23 de dezembro de 2012

BOA ÉPOCA PARA SE FALAR DE NATAL




Essa é mesmo uma boa época para falarmos sobre Natal.

Bem, o que posso dizer... Natal é uma cidade belíssima.

É de propósito que estou falando sobre a minha cidade e sim, é mesmo uma boa época para falar sobre ela, afinal é o seu aniversário que comemoramos também no dia 25 de dezembro. Daí vem o seu nome, fundada na data em que o cristianismo comemora o aniversário de Jesus, neste ano de 2012 a nossa cidade completa 413 anos.

Sempre acreditei que o Natal em Natal deveria ser o melhor e mais comemorado do mundo, afinal são dois aniversários importantes juntos. Mas, isso nunca aconteceu. Por sorte, como em toda a parte do mundo lembramos também por aqui da comemoração do aniversário de Jesus e as famílias se envolvem com presentes, confraternização e desenvolvem um espírito mais fraterno. Mas o aniversário mesmo da nossa cidade, isso pouca gente lembra e quase ninguém comemora.

E neste ano de 2012, então, a situação se agravou de tal maneira que há muito mais a se lamentar do que a se comemorar na nossa cidade.

Vítima de um governo desastroso que acaba de sair forçado pela justiça, envolvido em um escândalo de corrupção, apoiado por vereadores de igual caráteres, a nossa cidade sucumbe no lixo que se espalha pelas ruas esburacadas. Nos hospitais não há atendimento adequado, as escolas e creches sucateadas, ameaçadas de não concluir o ano letivo, faltando nelas o básico e, principalmente, com vários atrasos nos pagamentos dos funcionários contratados de empresas terceirizadas. Assim se encontra a nossa Natal.

De tudo o que me admira é que esse mesmo “desgoverno” municipal contava há bem pouco tempo com um grande numero de apoiadores e defensores. Não sei como esses se colocam agora diante dos fatos comprovados. O que sei é que com certeza, apoiando alguém que estava fazendo tudo errado só poderia ter por traz a ambição de cada um para garantir a sua individualidade à custa do prejuízo da comunidade.

Mas, com diz Chico Buarque, “apesar de você amanhã há de ser outro dia...”.

Natal ainda tem muito o comemorar, é uma cidade agraciada pela natureza, cercada de belas praias, dunas, lagoas e uma vegetação capaz de trazer para qualquer pessoa uma paz interior e uma comunhão com a vida. A gente costuma dizer brincando que “vivemos onde os outros passam as férias”.

Espero um dia ver a minha cidade com grandes festas nesta data, cheia de luzes e brilho, recebendo pessoas de todo o mundo para comemorar juntos os aniversários de Jesus e o nosso aniversário. Não deve ser a toa que somos privilegiados por essa coincidência. Natal tem que ser a cidade mais especial do mundo nesta época.

Feliz Natal.
(Ivana Lucena)
(Fonte da imagem: http://2.bp.blogspot.com/_VYnQ4XD3IMg/TF6a5VAooBI/AAAAAAAAGLQ/nbMau11AB0k/s1600/1.jpg )


domingo, 16 de dezembro de 2012

PRESENTE NO NATAL

    Nesses tempos de tanta coisa ruim, de tanta violência, ganância, egoísmo... Reunir os amigos para confraternizar, relembrar os velhos tempos e reavivar os laços de amor que nos tornou marcantes nas vidas uns dos outros é maravilhoso. Em momentos assim, só a alegria tem espaço, a felicidade de ver que o outro está bem e sentir que o tempo não diminuiu o afeto e a cumplicidade entre a gente.

    Ontem eu me reuni com um grupo de amigos da adolescência, foi o nosso terceiro encontro. É bem verdade que nunca vem todo mundo, uns vieram apenas no primeiro, outros nos dois últimos, outros nunca vieram. Mas, os que vieram foram sempre privilegiados com o calor do afeto e a renovação da amizade. É tão interessante recordar em grupo, cada um traz a tona lembranças marcadas pelo seu próprio ponto de vista e assim, coisas que vivemos juntos são reeditadas e saboreadas com saudade.

    Hoje a reunião foi com o grupo de amigas ex-professoras do Centro Infantil Kátia Fagundes Garcia.  Impossível não recordarmos que há dois anos atrás, para dar uma falsa resposta aos representantes da FIFA sobre o início das obras para a copa do mundo, o governo do estado do RN derrubou a nossa escola. Lembramos que isso aconteceu assim, de repente, sem dar tempo para nenhuma reação dos funcionários, dos pais ou da opinião publica. Todavia, o nosso encontro é também uma amostra de que eles destruíram apenas “a matéria”, o espírito da educação ficou salvo dentro de cada uma de nós. Quando a gente se encontra mata a saudade da nossa vivência, de tantas alegrias compartilhadas.  Erámos professoras, mas, o Kátia Garcia foi, antes de tudo, a nossa escola de vida.

    Daqui para o Final do ano, várias outras confraternizações estão previstas, com as minhas amigas diretoras exoneradas dos CMEIS municipais de Natal (Essa é outra história de tentativa de derrubar a educação e da sobrevivência dela dentro de cada uma de nós). Terei também o privilégio de confraternizar com os amigos recentes da SUESP (Subcoordenadoria de Educação Especial do RN) que tomara essas amizades se perpetuem como as outras e ainda as confraternizações em família, encontros maravilhosos.

    Para mim, essa é a melhor forma de aproveitar “o presente” no Natal.

sábado, 24 de novembro de 2012

SHOPPING - UM FORMIGUEIRO HUMANO



Ontem eu estive no Shopping, no Midway, pois é... Pra variar, o estacionamento estava um exercício para insanidade mental. Eu nem consegui colocar o carro lá dentro, aliás, nem tentei mesmo, embora eu saiba que ao fim de quase dez minutos rodando lá dentro eu teria chances de coincidir com alguém que estivesse saindo de uma vaga para pegá-la. Mas, quis me poupar desse desgaste que já começava com uma fila imensa na rua de entrada e naquela rampa medonha que antecede o portão, onde o carro fica ameaçando toda hora voltar e bater nos carros de trás (essa é a sensação que eu tenho). Enfim, estacionei na rua por trás e entrei a pé.

            Enquanto entrava no shopping, no meio daquelas pessoas que mais pareciam formigas, indo e vindo, eu ficava pensando: - Porque tanta gente é fascinada por isso? – Confesso que eu não sou uma dessas e quando converso com alguém que é questiono a mim mesma se estou me tornando ultrapassada, renegando a modernidade. Mas, eu lembro que antes mesmo de existirem os shoppings eu nunca fui mesmo de estar visitando lojas, só compro realmente o essencial, e olhe lá (rsrsrs). Ir ao shopping só para passear, isso então... Nem pensar. Prefiro ficar em casa lendo, escrevendo alguma coisa ou assistindo a um filme. Antes que pensem tratar-se da idade (o que não seria de fato um engano, rsrsrs), digo-lhes que sempre fui assim. Quando mais jovem (isso para deixar claro que ainda o sou, rsrsrs), as minhas diversões eram ir a praia, cinema, rodas de conversas com os amigos. Acho que isso também pode ter a ver com o fato de ter sido criada de forma humilde, onde comprar roupas se limitavam apenas às festas de são joão e final de ano. Ainda hoje trago um pouco dessa cultura.

            Mas, como eu ia dizendo, o shopping estava feito um formigueiro. Aí, eu reparei que próxima à decoração natalina central muita gente, como sempre, estava tirando fotos, dava para perceber a mistura de classes sociais que se junta em um mesmo espaço. Eu pensei comigo: - O shopping é mesmo um lugar democrático. – Muito embora que, se aprofundarmos a análise, a democracia, aqui no sentido de direito de todos, limita-se apenas ao passeio e usufruto da beleza de toda arquitetura e decoração encantadora, dentro das lojas apenas os mais abastados atrevem-se a entrar, os preços das mercadorias se encarregam de esclarecer a quem pertence aquele espaço da porta pra dentro.

            Acho que essa reflexão toda, embora já a tenha feito antes, surgiu desta vez mais pelo fato de eu ter recordado que por ocasião de um passeio entre amigos às cidades culturais nordestinas de Olinda e Pernambuco, grande parte do grupo insistir em incluir a inda ao shopping, optando por isso ao invés de uma vista panorâmica das praias. Confesso, fiquei indignada, mas acatei. Tudo em nome da democracia.
             

domingo, 18 de novembro de 2012

ENTRE O VAZIO E A APRENDIZAGEM


A tragédia completa hoje, precisamente, sete dias. O domingo também amanhecera assim, belo, ensolarado e de brisa suave. Eu ainda estava entregue a preguiça na cama quando alguém bateu palmas lá fora. Da janela do quarto eu vi um homem desconhecido parado diante do portão, pus a cabeça para fora e questionei: - Pois não? - O homem me olhou com uma cara de quem vê alguém familiar e depois de um bom dia retribuído, me fez uma pergunta que a princípio me pareceu estranha: - A sua cachorrinha está aí? – Dei uma busca rápida pela casa, nos locais onde ela costuma se deitar e constatei que não. Voltei e lhe dei a resposta, sem compreender ao certo o que ele pretendia. A conversa daí em diante tomou o rumo para o esclarecimento: - Eu vinha passando na avenida principal e vi um cachorro atropelado, aproximei-me e reconheci que se tratava da sua cachorrinha... Ali em frente à Lampadinha. – Apressei-me para tomar alguma atitude, sem saber ao certo qual deveria ser. Mencionei ir urgente verificar se ela estava muito ferida quando o senhor me olhou nos olhos, com bastante calma e disse: - Não há mais nada que a senhora possa fazer, eu só vim avisá-la para que não ficasse a vida inteira esperando que ela voltasse, sem compreender o que aconteceu. – Agradeci-o profundamente porque ele estava certo, a dor da perda é terrível, mas, a angustia da espera em vão é mais arrasadora.  O domingo inteiro foi muita tristeza e comoção. As meninas enterraram o corpo da Gisele Bündchen, ou da minha Gigele, como eu gostava de chamar, no terreno em frente à nossa casa e colocaram uma cruz indicando o local.

Muita gente, com certeza, não consegue compreender como é possível alguém sofrer tanto a perda de um animal. Hoje está cada vez mais difícil encontrar famílias que criam cachorros ou gatos. O espaço físico e a falta de tempo são os fatores mais justificados. Também é evidente o numero cada vez mais crescente de animais abandonados, principalmente gatos. As pessoas, mesmo quando decidem criar algum animalzinho, preferem compra-lo. Elas têm uma necessidade maior de exibir o pedigree do que de se apegar a um companheiro ou companheira.
Sempre convivi com animais de estimação, desde a minha infância e continuei assim juntamente com as minhas três filhas. Embora eu me reserve de fazer discursos em defesa de criar animais quando percebo a resistência das pessoas, sempre que posso apresento a minha opinião baseada na experiência de criar bichinhos com as filhas. Fala-se muito dos perigos de doenças provocada pelo contato com animais, principalmente para as crianças. Eu realmente compreendo que isso é verdadeiro, mas nunca aconteceu na minha casa e já se vai quase meio século de convivência. Atribuo essa realidade aos cuidados com a higiene e prevenção de doenças como vermes e raiva.

Criar animais, antes de tudo, sempre foi de grande contribuição para a educação das minhas filhas. Com eles elas aprenderam valores como cuidar, respeitar, se responsabilizar. Através dos animais elas desenvolveram também a sensibilidade, a compreensão das vantagens do carinho e do afeto. Experiências de morte como essa que vivemos agora com a Gigele, já vivemos algumas outras vezes, de formas diferentes e tenho plena convicção de que estas contribuem demais para a aprendizagem de conviver com a condição de morte, iminente a todos os seres vivos.

Assim, sempre que posso estou divulgando e compartilhando notícias de animaizinhos abandonados, precisando de lar e carinho. Ajudo a levantar a bandeira de que “um amigo não se compra” e que a recompensa para quem cria um animal é imensamente gratificante.

 Preciso dizer também que pouco antes de Gigele morrer, apareceu por aqui um cachorro de rua que se apaixonou por ela e ficou morando na minha calçada. Tobias, este é o nome dele, agora ocupa o vazio que ela deixou.


(ESSE VÍDEO É DE GIGELE BRINCANDO, OU AGUENTANDO A BRINCADEIRA DO CACHORRINHO QUE AS MENINAS CRIAM NA CASA DO PAI).
video

terça-feira, 6 de novembro de 2012

ESSE TEXTO FOI ESCRITO PELA MINHA FILHA ELORA (17 ANOS) PARA HOMENAGEAR O SEU PAI PELO SEU ANIVERSÁRIO. FICOU MESMO LINDO.


“Pai, palavra forte igual ao seu significado! Você é mais especial do que imagina ser, sei que te irrito por sair sempre depois das 22:00hrs e que se eu morasse na sua casa isso nunca iria acontecer, deve ser porque você ainda não admitiu que eu cresci né? Mas não ligo, eu gosto de saber que você se importa comigo, que por mais que não moremos juntos você faz questão de me ligar todos os dias nos mesmos horários só para saber onde estou e se estou bem. Hoje é uma data especial para ti e como é para você é mais ainda para mim, não sou filha única, mas sou uma coisa bastante especial para você, sou para sempre a caçula do papai. Deve ser complicado para você ter três filhas e todas elas já estarem passando da adolescência para a fase adulta, mas quero que não esqueça jamais que eu sempre vou ser a sua Catarina, aquela de cabelinho curtinho e franjinha cortada a seu estilo, aquela garotinha que cabia na sua cesta de compras, que te ajudava a lavar o carro, que te ajudava a fazer de tudo. Sua garotinha cresceu, mas o sentimento e a admiração por você continuou sempre. Só queria te dizer que ninguém jamais irá tirar seu espaço do meu coração, as vezes penso que já me tiraram do seu, mas fico feliz quando me liga e me prova o contrario. Eu te amo demais, mais do que alguém possa imaginar, um amor incondicional e te desejo tantos anos de vida, quero que você me veja crescer na vida e ver todos os obstáculos que irei vencer nessa vida, te desejo saúde e que nunca mude esse teu jeitão de ser, meio grosso e meio carinhoso. Edvar, talvez você nunca leia essa minha mensagem para você, mas se algum dia ler quero que saiba: Você é o homem da minha vida ♥” (ELORA MAIA em 05/11/2012).

domingo, 4 de novembro de 2012

A VALORIZAÇÃO QUE A ESCOLA DÁ AOS NOSSOS FILHOS


Duas das minhas filhas se preparam para o vestibular e para o ENEM. Penso  na minha participação e sobre o papel da escola nesse momento.

Chegando a hora das provas o nervosismo aumenta.  Um delas está mais insegura porque o seu rendimento escolar, ou seja, as suas notas estão bastante baixas, mesmo com todo esforço e a disciplina que vem dedicando para estudar, receia não ser aprovada.

Mas a sua grande preocupação mesmo são os exames para a universidade e, como a maioria dos seus amigos, ela estuda em dois cursos preparatórios fora da escola. Sobre isso eu penso que a necessidade de cursos extras é uma sinalização de que a escola regular não está integralmente cumprindo o seu papel.

A  sua insegurança soma-se à dúvida sobre a escolha da profissão ou da área de estudo. Embora seja natural nessa idade a dúvida, considero que isso também traduz uma falha da escola e minha também. Faltou com certeza uma maior orientação sobre os caminhos profissionais. Refiro-me não somente às técnicas de informações, falo, especialmente, da dedicação à observação sobre as áreas de interesse dela, sobre as suas potencialidades e envolvimento com alguma atividade ou conhecimento específico.

A cobrança exacerbada de uma aprendizagem generalizada, típica da maioria dos currículos das escolas, e a  ausência do olhar para “o específico”, para os interesses do jovem, sem dúvida nenhuma contribui bastante para o agravamento desse quadro de insegurança em que a minha filha e muitos outros jovens se encontram. É como se lhes fosse dito: - Se você não é bom em tudo, não é bom em nada!

Percebo que essa necessidade em ser “bom em tudo”, desconsiderando a área de interesse do aluno, acaba levando a frustração. Precisamos urgentemente avançar para uma postura pedagógica que prima pelo reconhecimento dos talentos dos individuos e a valorização da capacidade de cada um.

Tal proposta não pode ser confundida com a desconsideração sobre a importância do acesso ao conhecimento amplo de diversificado, muito pelo contrário, ela oportuniza os alunos a reconhecer os seus interesses e também  a conhecer e valorizar os interesses e conhecimentos produzidos por outras pessoas.

Embora ainda não me reconheça com relevada propriedade para discutir sobre esse tema, a contribuição das pesquisas do psicólogo Howard Gardner, na década de 80, que resultou em especial na sua teoria das inteligências múltiplas, representa uma grande contribuição para a pedagogia porque busca exaltar a importância do olhar da escola e da família sobre as habilidades, os talentos e os interesses dos alunos.

 Pensando no meu papel de mãe, ressinto-me de não haver participado mais desse tipo de discussão dentro da escola. A lição que tomo pra mim é que o futuro dos nossos filhos não está na valorização que damos à escola, mas na valorização que a escola dá a eles e nós também.



domingo, 21 de outubro de 2012

QUEM DERA UMA FÉ OU UM CETICISMO CEGOS PARA EU DORMIR EM PAZ



Confesso que tantas vezes invejo os que facilmente se realizam em sua fé. Certamente, isso lhes poupam de muitas angústias e do desgaste de uma busca constante por respostas inteligentes e convincentes sobre a vida.

Apegar-se a histórias, de cunho moral, criadas e repassadas inicialmente na cultura oral e depois eternizadas na literatura escrita e utilizar-se delas para saciar toda a necessidade de saber é bem mais confortante do que, tendo acesso a essas histórias, compreender o seu cunho histórico e analisa-la impessoalmente.

Viver da fé exclusivamente é contentar-se com o que compreende sem se exaurir na reflexão das razões de todas as coisas e se desgastar nas pesquisas de possibilidades infinitamente variáveis do amanhã como resultado das ações do hoje.

 Os inquietantes e atrevidos porquês são instrumentos que atormentam a alma. Feliz é o sujeito cujo mundo espiritual resume-se apenas na garantia própria da salvação de sua alma. A sua mente preenche-se e goza de tal conhecimento como o bastante. O respeito e a submissão ao ser supremo é uma posição que aquieta e faz o homem adormecer em paz.

É bem verdade que na outra ponta também há uma posição confortante: ateu. Nem essa eu consigo alcança-la. Se o fizesse certamente bem mais fácil seria. A convicção sobre o equívoco dos outros me acalmaria e nada mais haveria para ansiar a não ser usufruir a perfeição que o acaso, por sorte, instituiu em anos e anos de evolução.

Mas, eu sou esta...


sábado, 13 de outubro de 2012

OS RICOS TÊM MAIS MOTIVOS PARA SORRIR



Há cerca de dois meses atrás, durante um tratamento dentário, recebi a notícia de que um dos meus dentes estava totalmente condenado e a única alternativa seria um implante.

Maior foi o meu choque com tal notícia por tratar-se de um desses dentes da frente. A ideia de ficar banguela certamente é apavorante para qualquer pessoa com um mínimo de esclarecimento.

Embora tranquilizada pelo dentista com a possibilidade do implante, devo dizer que isso me deixou bastante abalada.

O que eu não previa era que um abalo maior me aguardava na hora de saber o preço de implante, cerca de dois mil reais, em uma clínica popular. Para um rico, quase nada e uma fortuna um trabalhador que concentra os seus proventos mensais unicamente para garantir a sobrevivência, a educação dos filhos e um mínimo de conforto para a sua família. 

Se compararmos essa condição com a que se encontra a maioria dos brasileiros, concluímos ser uma situação mais crítica ainda.

Não à toa o Brasil já foi declarado por diversas vezes o país dos desdentados.

Afinal, que mal representa ser desdentado, além do comprometimento com a saúde proveniente da impossibilidade de mastigar bem os alimentos (o que já é gravíssimo)?

Avaliemos o impacto que uma deformação na aparência pode ocasionar na autoestima de uma pessoa. No caso de perda do dente, parar de sorrir é a primeira atitude e pode desencadear outras até tornar a pessoa totalmente complexada.

Algumas vezes, com certeza, já nos deparamos com pessoas que sorriem de forma acanhada, algumas escondendo a boca com as mãos. Muitas ainda jovens e sem perspectiva de resolver o seu problema porque um tratamento dentário em nosso país é “artigo de luxo”.

Embora tantos apelos nas mídias para a realidade dos “desdentados do Brasil”, nunca ocorreu de fato uma política séria e efetiva para solucionar essa situação.

Assim, os dentes tornam-se mais um pretexto para reafirmar que os ricos têm muito mais motivos para sorrir do que os pobres.

"Brasília - Claudemir Justino dos Santos, lavador de carros, é um dos 30 milhões de brasileiros desdentados, segundo pesquisa do Ministério da Saúde. (foto:José Cruz)" http://agenciabrasil.ebc.com.br/galeria/2004-03-17/17-de-marco-de-2004?foto=4058b78f68028 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O DEUS QUE EU NÃO ACREDITO



Quando menina, eu vivia cercada dos ensinamentos da minha avó. Cercada de crenças, de rezas e dogmas.

“Oh meu Jesus perdoai-me e livrai-me do fogo do inferno. Levai as almas todas para o céu. Socorrei, principalmente, as que mais precisarem.”

Essas palavras ecoavam dentro de mim provocando um terror inexplicável.

Eu realmente sentia muito medo de, por algum motivo, não alcançar o perdão de Jesus e acabar no fogo do inferno.

Essa ideia, aliás, a maioria das ideias que eu tinha a respeito de Deus, era relacionada ao medo, ao castigo, a condenação eterna para pagamento dos pecados.

Nem posso dizer que isso era estranho naquela época: década de setenta. Estranho mesmo é hoje em dia assistir ainda, pessoas repetindo essas orações.

Das duas uma: Ou elas não prestam muita atenção no sentido das palavras que repetem ou continuam sob o julgo do medo dos castigos de um Deus severo que não titubeia em condenar um filho à eternidade de “um fogo do inferno”
.
Para falar a verdade, eu nunca consegui lidar muito bem com a acepção do termo “eternidade”. Como também não absorvo a ideia da coexistência eterna de dois arqui-inimigos: Deus e o Diabo.

Pensando Deus como um pai, reflito: Como poderia um pai permitir em sua casa a permanência de alguém que só provoca o mal aos seus filhos?

Acaso seria Deus refém do Diabo e os seus filhos incapazes de serem avaliados ou julgados pelas suas próprias ações e decisões, sem precisar da inteligência do Diabo para conduzi-los?

Devo esclarecer também que essa visão de “Deus Pai” é muito difícil também de assimilar. A não ser que venha acompanhada do “Filho” e do “Espírito Santo”, em uma só pessoa.

Gosto dessa ideia de mistério. Não de mistério fruto de dogma, mas, de mistério fruto da nossa limitação humana de “incompreender” a Deus.

O Deus que concebo é algo assim como uma energia cósmica que está ligada a todos os seres. Algo realmente inexplicável.

Para mim, a evolução que esses seres que compõem a energia cósmica, alcançam através da sabedoria os conduzem a um nível tal que por isso são chamados de “Anjos” e “Deus”.  Os seus declínios causado pela ignorância leva-os a uma transformação espiritual que os tornam conhecidos como “demônios” e “Diabo”.

Acredito também ser muito provável a sobrevivência da energia vital à morte da matéria.

O que me afasta mesmo das religiões, de todas elas, é essa mania de acharem-se descobridores da “verdade” e apresenta-las de forma tão simplificada que se torna um afronte acreditar nesse Deus tão falho do qual são porta-vozes.

Sigo o que indica o poeta: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”

Penso que enquanto eu fizer parte dessa vida terrestre sou movida pelo potencial de construir conhecimentos, de buscar respostas e pela certeza de que nunca alcançarei a verdade suprema, pela minha limitação para compreendê-la.

Todavia, muitas vezes invejo os que se acomodam às respostas que obtêm e sentem-se felizes com elas. Embora eu não consiga ser um desses, condeno quem tente arrancá-los de forma irresponsável desse conforto espiritual.

Mas, condeno mais ainda, aqueles que tiram proveitos próprios da fé dos outros.

De tudo isso, creio que o que realmente importa é evoluirmos sempre em busca da harmonia entre todos os seres.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

"VOU LER MAIS OS MEUS AMIGOS"


Não me atrevi mais a escrever.
Não pelo fato de não ter do que falar.
Não foi isso.
Deixei de escrever por achar injusto querer que leiam meus escritos, ao passo que eu, há muito não leio nada do que escrevem nos blogs os meus amigos.
Seria muita petulância minha, concorda?
Pois se eu não leio as publicações dos meus amigos, que justiça há em publicar meus textos à espera de suas leituras?
Assim, vou passar um tempo maior lendo do que escrevendo.
Dessa forma, certamente,  aprenderei mais.
É um jeito de me redimir, de valorizar mais os amigos.
Depois eu volto.
Aposto que um  pouquinho mais sábia, pois, com os amigos crescemos sempre.
Bjs.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

PORQUE EU VOTO E APOIO CARLOS EDUARDO PARA PREFEITO DE NATAL RN.


QUANDO AS PRIMEIRAS PESQUISAS REALIZADAS EM NATAL APONTAVAM A INTENÇÃO DE MAIS DE 50% POR CENTO DA POPULAÇÃO ELEGER CARLOS EDUARDO PREFEITO DE NATAL, OBVIAMENTE , ESSA INTEÇÃO NÃO ESTAVA BASEADA EM PROMESSAS FEITAS PELO CANDIDATO MAS NA AVALIAÇÃO CONCRETA DO SEU GOVERNO ENQUANTO PREFEITO DA CIDADE.

UMA AVALIAÇÃO QUE ANTERIORMENTE FOI TROCADA PELA ILUSÃO DE PROMESSAS E CULMINOU COM A DESTRUIÇÃO DA NOSSA CIDADE.

AGORA VEM UM CANDIDATO QUE NEM TEM OBRAS CONCRETAS PARA MOSTRAR E NEM SEQUER SE DÁ AO TRABALHO DE APRESENTAR PROPOSTAS, PRETENDE VENCER APONTANDO SUPOSTAS FALHAS NO CANDIDATO QUE ELE TEME NÃO CONSEGUIR DERROTAR JOGANDO LIMPO.

EU TENHO O ORGULHO DE APOIAR UM CANDIDATO QUE EU REALMENTE ACREDITO E A TRANQUILIDADE DE DECLARAR QUE AVALIEI MUITO BEM ANTES DE FIRMAR ESSA ESCOLHA.

PRIMEIRAMENTE, AVALIEI O SEU APOIO E COMPROMISSO COM A EDUCAÇÃO. NESSE PONTO EU POSSO REALMENTE FALAR COM COMPETÊNCIA POIS ESTIVE NA GESTÃO DE UM CENTRO INFANTIL E TODAS AS GESTORAS DE ESCOLAS E CMEIS SABEM MUITO BEM DO QUE ESTOU FALANDO.

EM SUA GESTÃO, NUNCA OUVE ATRASO DE PAGAMENTO DE PROFESSORES OU DE FUNCIONÁRIOS TERCERIZADOS; AS VERBAS PARA ALIMENTAÇÃO E PARA MANUNTENÇÃO DAS ESCOLAS ERAM DEPOSITADAS DENTRO DO PRAZO CORRETO, GARANTINDO TRANQUILIDADE PARA TRABALHAR E UM ATENDIMENTO DE BOA QUALIDADE ÀS CRIANÇAS.

QUALQUER PROFESSOR OU PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO MUNICIPAL COM CERTEZA DÁ ESSE DEPOIMENTO ACIMA.

EU SEI QUE O POVO TEM A MEMÓRIA CURTA, MAS NÃO É TÃO DIFICIL ASSIM LEMBRAR QUE AS RUAS DE NATAL TINHAM COLETAS DE LIXOS E LIMPEZAS REGULARES. ISSO PELO MOTIVO DO PREFEITO HONRAR COM O PAGAMENTO ÀS EMPRESAS QUE PRESTAM ESSES SERVIÇOS.

O PARQUE DA CIDADE,  HOJE ABANDONADO, TAMBÉM ESTÁ SENDO ALVO DE ACUSAÇÃO DE QUE ERA UMA OBRA INACABADA.

É DUPLAMENTE TRISTE OUVIR UMA HISTÓRIA DESSAS, PRIMEIRO PORQUE EU CONFESSO QUE EU NÃO TINHA VISTO NA NOSSA CIDADE UMA OBRA TÃO BELA QUANTO AQUELA.

ESTIVE LÁ NA OCASIÃO DA INAUGURAÇÃO, JUNTAMENTE COM VÁRIOS FUNCIONÁRIOS PUBLICOS E PESSOAS DA COMUNIDADE.

ESTIVEMOS NO ANFITEATRO, UM ESPAÇO AMPLO COM CADEIRAS ACOLCHOADAS, ONDE AS AUTORIDADES DISCURSARAM; CONHECEMOS OS ESPAÇOS PARA BIBLIOTECAS; SALAS PARA OFICINAS PEDAGÓGICAS E OUTOS ESPAÇOS, TODOS AMPLOS E BEM PLANEJADOS; SUBIMOS NOS ELEVADORES ATÉ O OBSERVATÓRIO DA TORRE EM FORMA DE OLHO ONDE PUDEMOS NOS VISLUMBRAR COM A VISTA MAGNÍFICA DE TODO O PARQUE E DA NOSSA CIDADE, ALÉM DE CONTEMPLAR O MUSEU DA HISTÓRIA DA CIDADE CONTADA ATRAVÉS DE FOTOS.

COM RELAÇÃO A PESSOA DO CANDIDATO, TAMBÉM PESQUISEI A RESPEITO DELE E RESUMO A MINHA ANALISE EM UM FATO QUE ME FEZ DEFINITIVAMENTE ACREDITAR QUE CARLOS EDUARDO ERA A ESCOLHA CERTA.

EU LI UMA ENTREVISTA ONDE O REPORTER PERGUNTAVA POR QUE CARLOS EDUARDO NÃO ERA APOIADO PELO SEU TIO, O MESMO QUE AGORA APOIA O OUTRO CANDIDATO QUE TENTA DERRUBÁ-LO.

A SUA RESPOSTA FOI FUNDAMENTAL PARA ANALISAR O SEU CARÁTER.

CARLOS EDUARDO DISSE QUE COMUNGAVA COM A IDEOLOGIA DO SEU PARTIDO E JAMAIS IRIA ABANDONAR O QUE ACREDITA APENAS POR FAVORECIMENTO PRÓPRIO.

SE NÃO BASTASSE A SUA POSTURA QUE TRADUZ A ÉTICA QUE SE ESPERA DE POLÍTICO, A SUA ATITUTE TRANSPARECE O QUE PODE REPRESENTAR O ACORDO ENTRE O SEU TIO E O OUTRO CANDIDATO.

TOMARA QUE DESSA VEZ O POVO SAIBA REALMENTE AVALIAR, AO INVÉS DE SER LUDIBRIADO COM AS CONVERSAS DE MAIS UM OPORTUNISTA.

FAZER A ESCOLHA ERRADA MAIS UMA VEZ, COM CERTEZA REPRESENTA O FIM PARA NATAL.

NÃO PODEMOS PERDER A OPORTUNIDADE. A HORA É AGORA.

CARLOS EDUARDO É, SEM DÚVIDA ALGUMA O MELHOR CANDIDATO À PREFEITO DA NOSSA CIDADE.

domingo, 19 de agosto de 2012

"ODEIO POLÍTICA"


- Eu odeio política, tenho nojo... Não me envolvo com política de jeito nenhum! – Repetia categoricamente uma amiga, para mim, ontem.
Olhe que ela não representa uma minoria, viu? Tem muita gente por aí proferindo esse discurso.
Como se realmente houvesse essa alternativa de não se “envolver” com política.
A não ser que você pertença a uma tribo indígena, lá no interior da floresta amazônica.
 ...Mesmo assim, lamento informar que a política, aqui fora, decide a sobre qual deve ser tamanho das terras que os índios, que nem fazem questão de nos conhecer, têm direito. Isso e outras leis que de alguma forma acaba atingindo mesmo os mais isolados.
Não é difícil compreender o sentimento que leva a esse pensamento de repúdio à política.
 Basta olhar nas caras desses candidatos, oportunistas, que desfilam nessa época distribuindo atenção, promessas e simpatias com a população.
Entre essas criaturas destacam-se aquelas figuras bonitas, visivelmente “bem nascidas” e “criadas para ocupar o poder”, acima dos desafortunados que os veneram como ídolos.
Em outro grupo, apontam os mais humildes, que de alguma forma alcançaram visibilidade diante da população, principalmente nas mídias de rádios e televisões.
Todos eles se revestem em “pele de cordeiro”, aproveitam-se da ignorância da maioria da população e fazem-na acreditar que se preocupam realmente com os seus problemas e que irão representa-la no poder.
O resultado, todo mundo conhece: os seus patrimônios particulares aumentam consideravelmente e usufruem de todas as regalias, em uma posição totalmente antagônica daqueles a que “diziam representar”.
 E mesmo uns poucos que ainda carregavam de verdade a ideologia de serem porta-vozes do povo, logo são contaminados pela “amnésia política”, um mal  contagiante,  que os fazem esquecer totalmente dos pobres coitados  que os colocaram lá e que acreditaram nas suas promessas.
O que fazer meu Deus? Estamos à mercê desse povo nessa época e, o pior, ao contrário do que a minha amiga declara, não podemos de forma alguma ficar sem se envolver com a política.
Penso que o nosso papel é fazer as escolhas que para nós parecem ser as mais corretas, com base na analise racional do perfil e da história politica que os candidatos apresentam.
Sabemos que não existe ser humano perfeito e, dessa forma, não podemos esperar encontrar a perfeição em nenhum político, mas podemos sim, analisar as suas posturas éticas enquanto ocupavam cargos anteriores. Isso nos dará uma garantia de conhecer a quem estamos oferecendo a nossa credibilidade.
Lembre-se de uma coisa:  “Se você não escolher, fazem por você”.
É isso que devemos ter sempre na nossa mente. E ninguém tem mais competência do que a gente mesmo para escolher o que o que é melhor para nós.

domingo, 5 de agosto de 2012

TODAS AS VIDAS DEVERIAM SER ILUMINADAS


Agora a pouco, fui deixar uma das filhas para assistir a um filme com uma amiga.

Quando parei o carro em frente ao Shopping para elas descerem, observei na calçada escura de um restaurante fechado, alguns meninos que se preparavam para dormir. Um já estava totalmente coberto com um lençol encardido, o outro, na medida em que se recostava na parede enfiava os braços para dentro da camisa numa tentativa de se amparar do frio.

Do lado oposto, a calçada iluminada do shopping acolhia outras pessoas, bem vestidas, sentadas em torno das mesas, em conversas alegres, degustando os seus pedidos.

Deixei as meninas que, envoltas em seus interesses de juventude, nem deram conta do que acontecia nas duas calçadas.

Logo mais a frente, outro rapaz, de cabeça baixa e olhar perdido no vazio, me passava a impressão de alguém que não tinha mais nada com o que contar. Triste vida essa, pensei. A de quem não tem um lar, uma família, uma alimentação certa e um futuro para planejar.

Não importa os motivos que os levaram para lá.

Nunca deveriam existir calçadas escuras na vida de ninguém.

Deitar em uma cama quentinha, se enrolar em um cobertor limpinho, sentir-se protegido, amado, farto de alimento e cheios de sonhos para realizar, eram para ser direitos de todos os seres humanos.

Ainda no caminho, dei com algumas moças e rapazes que acabavam de fechar uma igreja e se dirigiam para as suas casas, com a bíblia embaixo do braço, de cabeças erguidas, transpareciam a sensação de paz e de dever cumprido.

- Em quantas desigualdades, meu Deus, se dividem os filhos teus?


Todas as vidas deveriam ser iluminadas.

domingo, 22 de julho de 2012

ABANDONO SOCIAL- EXIGE UMA POLÍTICA URGENTE PARA SOLUCIONÁ-LO


Ontem à noite, voltando para casa de carro com as minhas duas filhas mais novas e passando pelo cruzamento da avenida Bernardo Vieira com a Jaguararí,, nos deparamos com um desses meninos que pedem dinheiro nos sinais.

Isso era por volta das seis horas da noite, mas, estranhamente havia poucos deles neste sinal, aliás, somente ele. O comportamento do jovem, de aparência débil, me chamou atenção. Pareceu-me alguém com um tipo de deficiência mental. O que não é nenhuma estranheza em se encontrar nesse tipo pessoa que vive sob tais condições. Como não tinha nenhuma moeda no momento, eu lhes dei um pacote de biscoitos recheados que as minhas filhas traziam dentro do carro para o caso de sentirem fome pelo caminho.

A minha atitude deu início um debate polêmico dentro do carro sobre ser certo ou errado dar dinheiro a essas pessoas que pedem nos sinais.

Uma das filhas, de dezenove anos, que há pouco tempo teve o seu celular roubado em uma parada de ônibus e ainda encontra-se bastante revoltada por isso, defende que a maioria desses jovens se acomoda com esse dinheiro que damos e passam a vida inteira sem procurar trabalho. Argumenta que a maioria deles não “são esses coitadinhos que a gente pensa”, que basta deixar alguma bolsa ou um objeto de valor fácil e eles não terão o menor escrúpulo em roubá-lo ou ainda em nos fazer um mal para conseguir isso. Por isso, afirma ser extremamente contra darmos dinheiro a eles nos sinais, concluindo ainda que esse dinheiro servirá unicamente para a compra de drogas.

A filha mais nova, de dezessete anos apresenta um argumento contrário ao da sua irmã. Segundo ela, ninguém tem condições de julgar a todos os jovens e crianças que pedem nos sinais, de maneira generalizada. Alguns deles, afirma, certamente não tem outra opção na vida. Ela levanta uma tese de que se qualquer um deles tivessem recebido a educação devida, a atenção e o carinho da família, certamente não estaria ali nessas condições. Alguma dessas coisas deve ter lhes faltado, senão todas, afirma.

Penso que, ambos os argumentos, embora aparentemente convergentes, tornam-se complementares para traçarmos o perfil das pessoas que vivem nas ruas, pedindo dinheiro e até roubando.

Não podemos, realmente, ter sempre a postura ingênua de acreditar que só pelo fato de estarem naquela condição de “abandono social”, trata-se de “coitadinhos”, cujas condições lhes tornaram “almas humildes”, capazes de gratidão e reconhecimento pela ajuda que recebem de nós.

Também, ao contrário, embora reconhecendo que são pessoas criadas sem educação para a ética e para o reconhecimento da solidariedade, mesmo assim, isso não as redime da condição de necessitarem de ajuda.

Sem dúvida alguma, a ajuda de que necessitam efetivamente seria a de ter-lhes devolvido o direito de ter um lar, de estudar e de um emprego... Todavia, a ajuda que carecem no momento é imediata. Seja para saciar a sua fome ou o vício em drogas, que a maioria adquire. Porém, devemos ter a clareza de que a fome e o vício em drogas serão saciados de alguma forma e eles não podem esperar pelos programas sociais de resultados à longo prazo.

Ou seja, não é o fato de nos negarmos a dar-lhes dinheiro que irá tirá-los da rua.  

O erro está em considerarmos ter cumprido o nosso dever social apenas assumindo a posição de ajudar ou deixar de ajudar essas crianças e esses jovens que perambulam pelas ruas.

A nossa dívida social está longe disso. Ela vai muito além de discutirmos confortavelmente dentro do nosso carro, no aconchego dos nossos lares, nas escolas ou no nosso merecido trabalho, se é certo ou errado dar dinheiro aos pedintes nas ruas.

Em um período como esse, de campanha política, o momento é propício para exercitarmos um grande dever social: escolher representantes políticos que apresentem projetos vislumbrando resolver problemas como esse.

Muito embora, a ninguém compete conhecer verdadeiramente ás intenções de um candidato, é possível reconhecer um bom projeto quando constamos que este apresenta ações capazes de serem realizadas. A única pista confiável que temos para avaliar um candidato é a análise do seu histórico político. Devemos conhecer sobre a sua postura e os seus atos anteriores, realizados á serviço da sociedade.

Temos que ter em mente, ainda, que somente eleger o nosso represente político não põe fim no nosso compromisso social. Acompanhar a sua trajetória, unindo-nos aos grupos ou comunidades para cobrar os projetos prometidos na campanha é a continuação do nosso dever.

 Além disso, sabemos que existem muitas ações sociais  que independem de governos e  que é possível descobrirmos uma maneira de contribuirmos para acabar com toda essa desigualdade social que nos cerca.

Cada um a sua parte e todas as partes estarão unidas no resultado final.

terça-feira, 17 de julho de 2012

LIBERTANDO-SE DO VÍCIO


Vício. Muita gente não sabe ao certo o significado real dessa palavra. Algumas pessoas declaram, por exemplo, em tom de brincadeira – Ah, eu sou uma viciada em internet.  – ou em outra coisa que ela gosta muito e que julga satisfazer-se com seu uso mais do que deveria. Todavia, isso ainda está muito distante do que se caracteriza realmente ser uma pessoa viciada.

Ultimamente a palavra viciada está muito associada ao uso de drogas, por motivos bem óbvios que todos nós sabemos, mas, o ser humano pode tornar-se viciado em qualquer coisa, tipo: comida, bebida, jogo, comportamento, tarefa, sexo, entre outros e, principalmente, drogas.

O vício não se inicia como tal. Na verdade, ele se instala de maneira sorrateira. Ou seja, no princípio, e até durante muito tempo, é comum a ilusão de que se tem o domínio sobre aquela determinada coisa. A autoafirmação de que se está viciado vem muito depois da constatação feita pelas outras pessoas ao redor.

Ser viciado quer dizer: perder o controle sobre si mesmo.

Uma americana que perdeu setenta e seis quilos, segundo ela, sem o recurso de remédio ou cirurgia, apenas através da “reeducação alimentar e exercícios físicos”, relata em entrevista que continua frequentando festas mas resiste em comer “o primeiro docinho”.  A mulher afirma que de acordo com as suas experiências frustradas para emagrecer, chegou a conclusão de que se ela permitir-se comer “apenas um”, com certeza acaba perdendo o controle e comerá compulsivamente vários.

Todos nós sabemos que o principal lema do Grupo do AA (Alcóolicos Anônimos) é “Evite o primeiro gole”.

Essa é uma regra que vale para todo o tipo de vício. Não é nada fácil mantê-la, mas sem ela é impossível combater o vício. Não se consegue dominar um vício fazendo uso de poucas dosagens. Isso é mera ilusão. Aceitar essa condição já é meio caminho andado para a vitória. Daí em diante é se abastecer de coragem e perseverar.

Quando se retira da vida algo em que se viciara, logicamente, de uma forma ou de outra, abriu-se mão de um prazer, de uma coisa que preenchia parte da pessoa e que, apesar das consequências, tinha uma justificativa para existir. Portanto, é necessário que alguma recompensa seja posta em seu lugar.

Libertar-se de um vício é uma atitude bem mais emocional do que racional. Por isso, as vantagens que são obvias para os observadores tem outra conotação para quem está envolvido.  Esse dilema interior é um grande causador de sofrimento, pois ao raciocinar sobre o que está fazendo o viciado enxerga de uma forma alterada a própria fraqueza.

Dizer que o apoio da família é crucial para o tratamento é tão obvio quanto lembrar que esta é a parte mais afetada em toda a história. Assim, tão forte quanto o amor que empurra para o apoio, a compreensão e a parceria, encontra-se a mágoa, o rancor, o cansaço e a descrença. Não é errado dizer que todos estão doentes e todos precisam ser tratados de acordo com a forma em foram afetados.

Felizmente existem muitas instituições para ajudar a pessoas que se encontram nessas condições. Muitas delas criadas justamente por quem já enfrentou esses sofrimentos.

Devo esclarecer também que  as instituições e  os órgãos que tratam sobre esse assunto preferem utilizar o termo “dependência”. Eu estou chamando aqui de vício como uma provocação para refletirmos mais profundamente a situação.
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