terça-feira, 6 de março de 2012

O SOL, SENHOR DO TEMPO


           
           Quando eu era criança, pouco sabia sobre o tempo e também, com deve ser, pouco me interessava sabê-lo.

            Para mim, era bastante viver.

            Se o tempo passava, era somente para me trazer outro tempo para que eu pudesse novamente brincar até o sol se esconder.

            O sol, esse sim, era o senhor do tempo. Ele é quem determinava as brincadeiras do dia e a hora delas sessarem.

            De manhãzinha, o sol ameno, subir nas arvores para chupar mangas; correr pelo campo e se deitar no capim, fingindo de morta para enganar urubus eram as minhas brincadeiras favoritas.

            Se o sol cismasse em não sair e se mandasse a chuva em seu lugar, aí a brincadeira era de tomar banho na biqueira da casa e de soltar barquinhos de papel com bonequinhos dentro para descer nas enxurradas.

            Quando o seu esquentava e ficava bem no meio das nossas cabeças, a brincadeira era de tomar banho no rio e de passear entre as bananeiras, afundando os pés nas lamas para fazer lindas botas até os joelhos.

            De tarde, o sol “mais frio”, me autorizava a balançar no balancinho de corda, pendurado pelo meu avô na varanda da casa e, também, a brincar de bonecas ou ver aquelas revistas “Manchetes” antigas, do meu avô.

            Na sua despedida, o sol sempre mandava as cigarras avisar que a escuridão se aproximava. Aí, esfriando o tempo, esfriava a minha vontade de brincar e meu corpo se preparava para enfrentar as manchas escuras da ausência do sol e esperar ele retornar, amanhã, trazendo com ele um novo tempo para brincar.

            Durante todo esse tempo, a minha irmã brincava ao meu lado, crescemos assim, o tempo passou, marcou nossos rostos e as nossas almas. Hoje, ainda juntas, dividimos a recordação desse tempo bom.
             

6 comentários:

Remédios disse...

Oi amiga!
Vou pedir licença a você pra dizer-lhe que este texto, com poucas mudanças,vc está descrevendo minha infancia tb. Eu não tinha revistas mas meu avô lia romances antigos, rodeado da família e dos trabalhadores da roça.No interior tínhamos fartura de tudo menos de objetos urbanos. Rádio...energia elétrica...não e as roupas passava com ferro a brasa, músicas ouvia as que minha avó e tias cantavam e até meu avô as vezes cantarolava algo.Vivi assim até os 9 anos e depois já na cidade não via a hora de chegar as féria só pra correr pra lá. Amiga foram os anos mais ricos e felizes de minha vida.Lá eu me tornei a pessoa que sou e que vc já conhece um pouco. Obrigada amiga por me fazer hoje voltar no tempo e reviver cada minuto de vida e amor. Parabéns pelo lindo texto ! Um grande bj em sua alma.

Ivana Maria disse...

Infâncias assim não poderiam formar outras pessoas senão gente sensíveis como a gente, que sabem valorizar o que realmente merece. Fico tão feliz em ter gostado, amiga! bjs Obrigada pela participação no meu Blog.

Dilmar Gomes disse...

Amiga, tu tiveste uma linda infância. Muitas vezes para se ter uma infância rica em atividades, deixando recordações intensas, não é necessário nascer numa família endinheirada, pois tem coisas que o dinheiro não pode comprar. Quero crer que a maior riqueza que se pode usufruir é viver a expontaneidade e a simplicidade da vida.
Um abração.

Pedro Luso disse...

Ivana Maria,

Vim agradecer a sua visita ao meu blog PLANÍCIES e também o seu comentário (já postei resposta a ele).

Li esta sua crônica, que nos remete aos bons tempos da nossa infância. Parabéns.

Abraços,
Pedro.

Curiosa disse...

abraço pra vc ... temos em comum a educação e filhas na adolescência ...

Ivana Maria disse...

WALDIRA E RUI DE BEM COM A VIDA - 7 de mar
Novo depoimento para você
IVANA SERÁ QUE ESTOU REGREDINDO NA INTELIGÊNCIA??!!! RSRSRS.... NÃO CONSIGO MAIS POSTAR NO SEU BLOG!!!! AINDA BEM QUE FAÇO CTRL C, E CONSIGO COLOCAR AQUI EM DEPOIMENTO, PRA VC ANALIZAR A MINA ESCRITA, RSRSRS, POIS BEM, AQUI ESTÁ:
SOBRE O TEMPO....


O TEMPO É LINDO!!! ELE NOS CONTA TANTAS HISTÓRIAS MARAVILHOSAS VIVIDAS POR TODOS NÓS.
ACHEI INTERESSANTE O TÍTULO DA SUA CRÔNICA: "O SOL, O SENHOR DO TEMPO". EU DIRIA ENTÃO, QUE ELE É UM DOS SERVOS DO TEMPO,.... O TEMPO É TÃO... É TÃO.... É TÃO ABRANGENTE, UMA ESPÉCIE DE UNIVERSAL. O TEMPO ESTÁ PARA TUDO E TODOS. ELE É PASSADO, PRESENTE E FUTURO EM TODO O TEMPO.
SABE AMIGA, EU VOU ME APROFUNDAR MAIS EM ESTUDAR SOBRE ESSE NOSSO COMPANHEIRO: O TEMPO. CHEGO A PENSAR QUE ELE É ABSOLUTO, ELE NÃO SE DETÉM PRA NINGUÉM, A NÃO SER PARA O SEU CRIADOR, DEUS. ESSE É O SEU AUTOR, O MESMO QUE CRIOU OS CÉUS E A TERRA E TODA A NATUREZA, TUDO NO SEU "TEMPO".



SOU POLÊMICA, NÃO É??!! RSRSRSRS...
BJOSSSSSSSS

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