sábado, 24 de novembro de 2012

SHOPPING - UM FORMIGUEIRO HUMANO



Ontem eu estive no Shopping, no Midway, pois é... Pra variar, o estacionamento estava um exercício para insanidade mental. Eu nem consegui colocar o carro lá dentro, aliás, nem tentei mesmo, embora eu saiba que ao fim de quase dez minutos rodando lá dentro eu teria chances de coincidir com alguém que estivesse saindo de uma vaga para pegá-la. Mas, quis me poupar desse desgaste que já começava com uma fila imensa na rua de entrada e naquela rampa medonha que antecede o portão, onde o carro fica ameaçando toda hora voltar e bater nos carros de trás (essa é a sensação que eu tenho). Enfim, estacionei na rua por trás e entrei a pé.

            Enquanto entrava no shopping, no meio daquelas pessoas que mais pareciam formigas, indo e vindo, eu ficava pensando: - Porque tanta gente é fascinada por isso? – Confesso que eu não sou uma dessas e quando converso com alguém que é questiono a mim mesma se estou me tornando ultrapassada, renegando a modernidade. Mas, eu lembro que antes mesmo de existirem os shoppings eu nunca fui mesmo de estar visitando lojas, só compro realmente o essencial, e olhe lá (rsrsrs). Ir ao shopping só para passear, isso então... Nem pensar. Prefiro ficar em casa lendo, escrevendo alguma coisa ou assistindo a um filme. Antes que pensem tratar-se da idade (o que não seria de fato um engano, rsrsrs), digo-lhes que sempre fui assim. Quando mais jovem (isso para deixar claro que ainda o sou, rsrsrs), as minhas diversões eram ir a praia, cinema, rodas de conversas com os amigos. Acho que isso também pode ter a ver com o fato de ter sido criada de forma humilde, onde comprar roupas se limitavam apenas às festas de são joão e final de ano. Ainda hoje trago um pouco dessa cultura.

            Mas, como eu ia dizendo, o shopping estava feito um formigueiro. Aí, eu reparei que próxima à decoração natalina central muita gente, como sempre, estava tirando fotos, dava para perceber a mistura de classes sociais que se junta em um mesmo espaço. Eu pensei comigo: - O shopping é mesmo um lugar democrático. – Muito embora que, se aprofundarmos a análise, a democracia, aqui no sentido de direito de todos, limita-se apenas ao passeio e usufruto da beleza de toda arquitetura e decoração encantadora, dentro das lojas apenas os mais abastados atrevem-se a entrar, os preços das mercadorias se encarregam de esclarecer a quem pertence aquele espaço da porta pra dentro.

            Acho que essa reflexão toda, embora já a tenha feito antes, surgiu desta vez mais pelo fato de eu ter recordado que por ocasião de um passeio entre amigos às cidades culturais nordestinas de Olinda e Pernambuco, grande parte do grupo insistir em incluir a inda ao shopping, optando por isso ao invés de uma vista panorâmica das praias. Confesso, fiquei indignada, mas acatei. Tudo em nome da democracia.
             

domingo, 18 de novembro de 2012

ENTRE O VAZIO E A APRENDIZAGEM


A tragédia completa hoje, precisamente, sete dias. O domingo também amanhecera assim, belo, ensolarado e de brisa suave. Eu ainda estava entregue a preguiça na cama quando alguém bateu palmas lá fora. Da janela do quarto eu vi um homem desconhecido parado diante do portão, pus a cabeça para fora e questionei: - Pois não? - O homem me olhou com uma cara de quem vê alguém familiar e depois de um bom dia retribuído, me fez uma pergunta que a princípio me pareceu estranha: - A sua cachorrinha está aí? – Dei uma busca rápida pela casa, nos locais onde ela costuma se deitar e constatei que não. Voltei e lhe dei a resposta, sem compreender ao certo o que ele pretendia. A conversa daí em diante tomou o rumo para o esclarecimento: - Eu vinha passando na avenida principal e vi um cachorro atropelado, aproximei-me e reconheci que se tratava da sua cachorrinha... Ali em frente à Lampadinha. – Apressei-me para tomar alguma atitude, sem saber ao certo qual deveria ser. Mencionei ir urgente verificar se ela estava muito ferida quando o senhor me olhou nos olhos, com bastante calma e disse: - Não há mais nada que a senhora possa fazer, eu só vim avisá-la para que não ficasse a vida inteira esperando que ela voltasse, sem compreender o que aconteceu. – Agradeci-o profundamente porque ele estava certo, a dor da perda é terrível, mas, a angustia da espera em vão é mais arrasadora.  O domingo inteiro foi muita tristeza e comoção. As meninas enterraram o corpo da Gisele Bündchen, ou da minha Gigele, como eu gostava de chamar, no terreno em frente à nossa casa e colocaram uma cruz indicando o local.

Muita gente, com certeza, não consegue compreender como é possível alguém sofrer tanto a perda de um animal. Hoje está cada vez mais difícil encontrar famílias que criam cachorros ou gatos. O espaço físico e a falta de tempo são os fatores mais justificados. Também é evidente o numero cada vez mais crescente de animais abandonados, principalmente gatos. As pessoas, mesmo quando decidem criar algum animalzinho, preferem compra-lo. Elas têm uma necessidade maior de exibir o pedigree do que de se apegar a um companheiro ou companheira.
Sempre convivi com animais de estimação, desde a minha infância e continuei assim juntamente com as minhas três filhas. Embora eu me reserve de fazer discursos em defesa de criar animais quando percebo a resistência das pessoas, sempre que posso apresento a minha opinião baseada na experiência de criar bichinhos com as filhas. Fala-se muito dos perigos de doenças provocada pelo contato com animais, principalmente para as crianças. Eu realmente compreendo que isso é verdadeiro, mas nunca aconteceu na minha casa e já se vai quase meio século de convivência. Atribuo essa realidade aos cuidados com a higiene e prevenção de doenças como vermes e raiva.

Criar animais, antes de tudo, sempre foi de grande contribuição para a educação das minhas filhas. Com eles elas aprenderam valores como cuidar, respeitar, se responsabilizar. Através dos animais elas desenvolveram também a sensibilidade, a compreensão das vantagens do carinho e do afeto. Experiências de morte como essa que vivemos agora com a Gigele, já vivemos algumas outras vezes, de formas diferentes e tenho plena convicção de que estas contribuem demais para a aprendizagem de conviver com a condição de morte, iminente a todos os seres vivos.

Assim, sempre que posso estou divulgando e compartilhando notícias de animaizinhos abandonados, precisando de lar e carinho. Ajudo a levantar a bandeira de que “um amigo não se compra” e que a recompensa para quem cria um animal é imensamente gratificante.

 Preciso dizer também que pouco antes de Gigele morrer, apareceu por aqui um cachorro de rua que se apaixonou por ela e ficou morando na minha calçada. Tobias, este é o nome dele, agora ocupa o vazio que ela deixou.


(ESSE VÍDEO É DE GIGELE BRINCANDO, OU AGUENTANDO A BRINCADEIRA DO CACHORRINHO QUE AS MENINAS CRIAM NA CASA DO PAI).
video

terça-feira, 6 de novembro de 2012

ESSE TEXTO FOI ESCRITO PELA MINHA FILHA ELORA (17 ANOS) PARA HOMENAGEAR O SEU PAI PELO SEU ANIVERSÁRIO. FICOU MESMO LINDO.


“Pai, palavra forte igual ao seu significado! Você é mais especial do que imagina ser, sei que te irrito por sair sempre depois das 22:00hrs e que se eu morasse na sua casa isso nunca iria acontecer, deve ser porque você ainda não admitiu que eu cresci né? Mas não ligo, eu gosto de saber que você se importa comigo, que por mais que não moremos juntos você faz questão de me ligar todos os dias nos mesmos horários só para saber onde estou e se estou bem. Hoje é uma data especial para ti e como é para você é mais ainda para mim, não sou filha única, mas sou uma coisa bastante especial para você, sou para sempre a caçula do papai. Deve ser complicado para você ter três filhas e todas elas já estarem passando da adolescência para a fase adulta, mas quero que não esqueça jamais que eu sempre vou ser a sua Catarina, aquela de cabelinho curtinho e franjinha cortada a seu estilo, aquela garotinha que cabia na sua cesta de compras, que te ajudava a lavar o carro, que te ajudava a fazer de tudo. Sua garotinha cresceu, mas o sentimento e a admiração por você continuou sempre. Só queria te dizer que ninguém jamais irá tirar seu espaço do meu coração, as vezes penso que já me tiraram do seu, mas fico feliz quando me liga e me prova o contrario. Eu te amo demais, mais do que alguém possa imaginar, um amor incondicional e te desejo tantos anos de vida, quero que você me veja crescer na vida e ver todos os obstáculos que irei vencer nessa vida, te desejo saúde e que nunca mude esse teu jeitão de ser, meio grosso e meio carinhoso. Edvar, talvez você nunca leia essa minha mensagem para você, mas se algum dia ler quero que saiba: Você é o homem da minha vida ♥” (ELORA MAIA em 05/11/2012).

domingo, 4 de novembro de 2012

A VALORIZAÇÃO QUE A ESCOLA DÁ AOS NOSSOS FILHOS


Duas das minhas filhas se preparam para o vestibular e para o ENEM. Penso  na minha participação e sobre o papel da escola nesse momento.

Chegando a hora das provas o nervosismo aumenta.  Um delas está mais insegura porque o seu rendimento escolar, ou seja, as suas notas estão bastante baixas, mesmo com todo esforço e a disciplina que vem dedicando para estudar, receia não ser aprovada.

Mas a sua grande preocupação mesmo são os exames para a universidade e, como a maioria dos seus amigos, ela estuda em dois cursos preparatórios fora da escola. Sobre isso eu penso que a necessidade de cursos extras é uma sinalização de que a escola regular não está integralmente cumprindo o seu papel.

A  sua insegurança soma-se à dúvida sobre a escolha da profissão ou da área de estudo. Embora seja natural nessa idade a dúvida, considero que isso também traduz uma falha da escola e minha também. Faltou com certeza uma maior orientação sobre os caminhos profissionais. Refiro-me não somente às técnicas de informações, falo, especialmente, da dedicação à observação sobre as áreas de interesse dela, sobre as suas potencialidades e envolvimento com alguma atividade ou conhecimento específico.

A cobrança exacerbada de uma aprendizagem generalizada, típica da maioria dos currículos das escolas, e a  ausência do olhar para “o específico”, para os interesses do jovem, sem dúvida nenhuma contribui bastante para o agravamento desse quadro de insegurança em que a minha filha e muitos outros jovens se encontram. É como se lhes fosse dito: - Se você não é bom em tudo, não é bom em nada!

Percebo que essa necessidade em ser “bom em tudo”, desconsiderando a área de interesse do aluno, acaba levando a frustração. Precisamos urgentemente avançar para uma postura pedagógica que prima pelo reconhecimento dos talentos dos individuos e a valorização da capacidade de cada um.

Tal proposta não pode ser confundida com a desconsideração sobre a importância do acesso ao conhecimento amplo de diversificado, muito pelo contrário, ela oportuniza os alunos a reconhecer os seus interesses e também  a conhecer e valorizar os interesses e conhecimentos produzidos por outras pessoas.

Embora ainda não me reconheça com relevada propriedade para discutir sobre esse tema, a contribuição das pesquisas do psicólogo Howard Gardner, na década de 80, que resultou em especial na sua teoria das inteligências múltiplas, representa uma grande contribuição para a pedagogia porque busca exaltar a importância do olhar da escola e da família sobre as habilidades, os talentos e os interesses dos alunos.

 Pensando no meu papel de mãe, ressinto-me de não haver participado mais desse tipo de discussão dentro da escola. A lição que tomo pra mim é que o futuro dos nossos filhos não está na valorização que damos à escola, mas na valorização que a escola dá a eles e nós também.



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